01 — A Estrutura

Três Tabelas Fazem o Trabalho

Leads. Um registro por pessoa. É o centro da base. Toda captação, todo enriquecimento e toda atualização passa por aqui.

Origens. Uma tabela pequena de referência: "Formulário site", "Anúncio Meta — campanha X", "Anúncio Google — campanha Y", "Indicação", "Evento". Cada origem é um registro com nome, canal e observação. Leads apontam para uma origem via link entre tabelas — melhor do que digitar o nome da campanha em cada lead (erro de digitação vira relatório errado).

Interações. Uma linha por evento acontecido com o lead: preencheu formulário, foi contactado pelo comercial, agendou reunião, comprou. Cada interação aponta para o lead via link. É onde você reconstitui a jornada — a tabela Leads não engorda com histórico, ela reflete o estado atual.

Essa separação faz duas coisas ao mesmo tempo: mantém a tabela Leads limpa (um lead = uma linha) e preserva a história (interações crescem sem sujar o registro principal).

02 — Os Campos

O Que Cada Um Precisa Ter

Na tabela Leads:

  • E-mail (texto único, obrigatório).
  • E-mail normalizado (fórmula: lower(trim({E-mail}))) — este é o campo que a automação vai usar para deduplicar. Nunca compare pelo campo original.
  • Telefone (texto) e Telefone normalizado (fórmula que remove espaço, hífen e parênteses).
  • Nome, Empresa, Cargo.
  • Origem (link para a tabela Origens).
  • Data primeira captação (data — não sobrescrever depois).
  • Data última atualização (data — a automação atualiza sempre).
  • Status atual (single select: Novo / Contactado / Qualificado / Oportunidade / Ganho / Perdido / Descartado).
  • Consentimento (checkbox — se o lead marcou aceite de comunicação).
  • Observação livre (texto longo — mas raro; a maioria vira interação, não observação).

Não crie 30 campos "para o caso de". Cada campo que ninguém preenche cria a expectativa errada e polui os relatórios. Comece com os essenciais; adicione quando precisar de verdade.

03 — Deduplicação

Um Lead = Uma Linha, Sempre

O erro mais comum é fazer o formulário criar um registro novo a cada envio. Em três meses, um lead que preencheu dois materiais e agendou uma reunião vira três registros, cada um com pedaços da história. O comercial abre o CRM, vê três "empresas" com o mesmo e-mail, e a atribuição de origem quebra.

Regra: a base de leads não é log de eventos. É registro atual de cada pessoa. Log de eventos mora na tabela Interações.

Para deduplicar de verdade, você precisa de: (1) o campo "E-mail normalizado" descrito acima; (2) a automação que, ao receber um lead novo, verifica se o e-mail normalizado já existe — se existir, atualiza; se não existir, insere. Isso é o upsert. É onde a maioria das operações mata a dor.

04 — Conectar a n8n ou Make

O Fluxo Padrão de Captação

O Baserow expõe API REST completa. Você usa o nó do Baserow em n8n ou em Make e passa os campos. O fluxo padrão de captação tem cinco passos:

  1. Gatilho — webhook do formulário do site, ou trigger da ferramenta de anúncio (Facebook Lead Ads, Google Ads Lead Forms), ou app de landing page.
  2. Normalização — o fluxo transforma o e-mail para minúsculo, tira espaço, tira máscara de telefone.
  3. Busca no Baserow — GET filtrando por "E-mail normalizado = X". Retorna o registro se existe, vazio se não.
  4. Decisão — se existe, PATCH atualizando os campos que mudaram (nunca sobrescreva "Data primeira captação"). Se não existe, POST criando o registro.
  5. Ações paralelas — cria a linha em Interações; envia para o CRM (RD Station, Kommo, Pipedrive) com o ID do Baserow como referência externa; dispara mensagem de WhatsApp de boas-vindas ou notificação para o comercial.

Enviar para o CRM só depois da base do Baserow processar evita que o CRM vire o dedupe de última hora — o CRM ganha o lead já correto, não uma versão que ele precisa consertar.

05 — Upsert

A Operação Que Salva a Base

Upsert é a combinação de update se existe, insert se não existe — na mesma operação. É a diferença entre uma base limpa e uma base cheia de duplicados. Nem Baserow nem Airtable oferecem upsert nativo — você monta no fluxo de automação (o passo 3 e 4 acima).

Cuidados críticos: (1) sempre compare pelo campo normalizado, nunca pelo original; (2) na atualização, mantenha imutáveis os campos "Data primeira captação" e "Origem" (você não quer que o lead que veio pelo Google Ads em janeiro vire "veio pelo formulário do site" em setembro porque preencheu de novo); (3) registre cada preenchimento novo como linha em Interações — mesmo que o lead não seja recriado.

A Regra Que Não Muda

A tabela Leads reflete o estado atual da pessoa. A tabela Interações reflete a história. Confundir as duas é o erro que polui base em três meses e vira problema em seis.

06 — Manutenção

Meia Hora Por Semana Salva a Base

Rotina simples: uma vez por semana, abra a visão "Leads com dados incompletos" (filtro: campo obrigatório vazio ou status = "Novo" há mais de 15 dias). Descarte ou complete. Uma vez por mês, cheque duplicados que passaram (pessoa com dois e-mails diferentes, telefone repetido em nomes distintos) — a automação evita 95%, os 5% restantes só olho humano pega.

Base viva não é base que nunca precisa de limpeza. É base que tem alguém responsável por limpar. Sem responsável, nenhuma ferramenta segura por muito tempo.

Quer captar leads em uma base que não vira caos em três meses?

Em uma conversa mapeamos suas fontes de captação e desenhamos o fluxo — Baserow, Airtable ou o que servir melhor — conectado ao CRM e ao WhatsApp.

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