01 — O Desenho

Uma Base, Quatro Tabelas, Nenhum Dado Duplicado

Antes de abrir o Airtable, decida o que você quer poder responder sem abrir cinco arquivos. Uma operação editorial madura precisa responder três perguntas em segundos: (1) o que precisa sair essa semana e quem faz? (2) o cliente X tem quantas entregas atrasadas? (3) qual formato mais gera trabalho e para qual perfil de cliente? As três respostas exigem que cliente, briefing e entrega estejam conectados — não em abas separadas.

02 — As Quatro Tabelas

Como Cada Uma Aponta Para as Outras

Tabela 1 — Clientes. Campos: Nome, Plano (single select), Gestor (single select), Canais ativos (multi select: Instagram, LinkedIn, blog, e-mail, YouTube), Status (Ativo / Pausado). Um registro por cliente, sem repetição.

Tabela 2 — Briefings. Campos: Título, Cliente (link para Clientes — este é o campo que conecta), Objetivo (short text), Canal (single select), Formato (single select: post, carrossel, artigo, vídeo, newsletter), Responsável pela produção (link para Pessoas), Data alvo, Status (Rascunho / Aprovado / Em produção / Publicado). O campo "Cliente" faz o link — quando você seleciona, o registro puxa tudo do cliente automaticamente.

Tabela 3 — Entregas. Campos: Briefing (link para Briefings), Formato final (herda do briefing, mas pode ser editado), Prazo, Responsável (link para Pessoas), Status (A fazer / Em revisão / Aprovado pelo cliente / Publicado / Reprovado), Link do arquivo, Data de publicação real. Um briefing pode gerar várias entregas (o post é aprovado, o carrossel da mesma pauta é reprovado — são registros separados).

Tabela 4 — Pessoas. Campos: Nome, Função (Estrategista / Copy / Designer / Editor de vídeo / Gestor de tráfego), E-mail, Cliente(s) alocado(s) (link para Clientes). Central para atribuição e para saber capacidade — quantos briefings/entregas por pessoa por semana.

Com essas quatro tabelas linkadas, dado de cliente aparece automaticamente em briefing, dado de briefing aparece automaticamente em entrega, e você nunca digita o nome do cliente duas vezes. Se o cliente muda de plano, muda em Clientes e propaga.

03 — As Visões

Cinco Visões Que o Time Abre Todo Dia

  • Calendário — Publicar essa semana. Visão de calendário na tabela Entregas, filtro "Prazo entre hoje e daqui a 7 dias" e "Status ≠ Publicado". É a foto que abre a reunião de segunda.
  • Kanban — Fluxo de produção. Visão Kanban agrupada por Status. Cada card é uma entrega; arrastar entre colunas atualiza o status.
  • Grade filtrada — Meu trabalho. Visão de grade filtrada por "Responsável = Eu" e "Status ≠ Publicado". Cada pessoa tem a própria.
  • Cliente — Painel por conta. Visão de grade agrupada por Cliente, mostrando briefings e entregas do mês. Substitui o "relatório do cliente" feito na mão.
  • Atrasos — Alerta. Filtro "Prazo < hoje" e "Status ≠ Publicado". Se essa visão está vazia, a operação está sob controle. Se está cheia, alguém precisa mexer no processo — não em cada card.

Todas as cinco visões são a mesma tabela vista de ângulos diferentes. Ninguém copia dado, ninguém mantém duas versões.

04 — Permissões

Cada Papel Enxerga o Que Precisa

Cliente. Recebe convite como comentador em uma visão compartilhada com os briefings e entregas dele — filtrada pelo próprio nome, sem enxergar os outros clientes. Ele aprova por comentário, sem precisar de acesso à base inteira.

Estrategista/gestor. Editor em toda a base. Cria briefing, define responsável, monitora atrasos, ajusta prazos.

Produtor (copy, designer, editor). Editor apenas nas tabelas Briefings e Entregas, e comentador nas outras. Pode mudar status, subir link do arquivo e ajustar formato — mas não altera dados do cliente.

Airtable permite convite por pessoa ou por grupo, e cada visão pode ser compartilhada com regras próprias. Não crie base por cliente — mantenha uma base só e use visões filtradas. Base por cliente vira 20 bases desatualizadas em três meses.

05 — Sinais de Que Ficou Pequena

Quando a Base Precisa Evoluir

Depois de meses de uso, alguns sinais mostram que o desenho ficou apertado: (1) o time começou a criar campos livres de texto para "explicar" o que uma coluna deveria dizer sozinha — falta um novo campo estruturado; (2) apareceu discussão recorrente sobre "onde entra tal coisa" — sinal de que falta uma tabela nova, não um campo; (3) as automações do Airtable estouraram o limite do plano — hora de rever se toda automação é necessária ou se algumas foram sendo empilhadas sem revisão.

Evoluir a base é bom sinal. Base que fica idêntica por dois anos é base que ninguém usa mais.

06 — Como Começar

Sem Reformar Tudo no Mesmo Dia

Comece com um cliente. Modele as quatro tabelas, cadastre os briefings do próximo mês, atribua responsáveis, use por duas semanas. Faça a reunião de segunda em cima da visão de calendário. Ajuste os campos que faltaram e os que sobraram. Só depois convide os outros clientes.

Migrar tudo de uma vez sem operação rodando em cima é o caminho mais rápido para uma base bonita que ninguém usa. O contrário — usar antes de estar pronto — é o caminho para uma base viva.

Quer desenhar a base editorial da sua operação sem começar do zero?

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